quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Precipitação

Ao 

cair em mente

fértil, como a chuva 

sobre o solo. O silêncio 

entre as palavras, faz brotar

o entendimento daquilo que 

 não foi dito. Nem sempre 

acertado, admito.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Centelha

Nas discussões solitárias
Das minhas horas sem paz,

Meu cachimbo, mesmo mudo,
É um orador perspicaz.

De coração inflamado,
Me dá conselhos sagazes
Com sua fumaça fugaz...

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Insônia

Não há calma,
Só silêncio.

Tenso e espesso
Feito argila.

Que aprisiona,
E quanto mais
A mente agita,

Mais se afunda.
Como areia movediça.





sábado, 15 de fevereiro de 2014

Exorcismo

Certas vezes
À noite, fica mais claro

Que na loucura é onde há razão,
E melhor me acompanha a solidão,
E a virtude é o pior dos vícios.

E eu me regalo, me embriago, me excedo.

Assim me mato pra ficar mais vivo.
Pois quando a dúvida é a única certeza,
Morrendo um pouco eu também mato o medo.





quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Alerta aos leitores!

A literatura,
Laica e "leviana",
Legitimamente
Eleva a lucidez.
Louvando a liberdade,
Alicia "loucos e alienados"
A lerem livros lúbricos.
Leva à luxúria, à lascívia!
Ao aludir à liberação.

Logo vos elucido:
A leitura alimenta a libido.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Alfômega

Arfa, arrepia
Beija
Concupiscente
Divinamente despida
Entrega-se
Feita fúria
Graceja, geme, goza
Histérica
Incontida
Jaguatirica
Lasciva
Morde-me

Nebulosa
Olhar oculto
Pelo pretume
Quintessencial
Reluz
Sutilmente
Transborda
Ubíqua
Volúpia viva
X
Zênite

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Cartilha

Cada corpo é um banquete
Para os sentidos convivas.
Aproveitem com deleite
As ocasiões festivas...

Tantas e ricas texturas
Para entreter o tato;
Sutis nuances de odores
Para educar o olfato;
Todas as formas e cores
Para a visão encantar;
Fala, ruídos, suspiros
E mais, para a audição;
Além de, tantos que são,
Sabores pro paladar.

Este é um pobre resumo,
Sem pretensão nem moral,
De incontáveis variantes,
Onde universal, presumo
É o fator consensual.

Só uma observação faço,
Que é de cunho pessoal,
Mas não deixa de ser fato:
Se refrear com pudores
É como cuspir no prato.