sábado, 28 de março de 2015

Cangote

Ponte entre o corpo e a mente;

Belo pilar que sustenta
a morada do sonhar;

Exala cheiro de verso,
rima aconchego e desejo;

Doce feudo do arrepio;
Trilha de tropa de beijo;
Distrito do cafungar...

Na anatomia da amada
o canto que julgo lar.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Mormaço

Por mais que se esforcem,
As nuvens não disfarçam
A cálida tarde pálida. 

Cai, junto com a noite,
Uma chuva que não refresca.

Água e muriçocas
Se infiltram pela fresta
Da porta encostada.

O calor não tira férias
Onde o verão faz morada.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Moto perpétuo.

Tem tempo,
Nada muda.

Dá a corda
No despertador
Que o acorda;

Desperta para a dor
Da rotina muda,

Que, de esperta,
Adorna o nada
Que ele tem;

E iludido assim,
Sem luta,

Se programa
A contento,

Para acordar
Em tempo

Amanhã também.



segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Bilhete

Eu fui ali,
Mas não comprar cigarros;

Dar uma esticada
Nas pernas da alma;

Me perseguir
Um pouco mais encontrado.

Voltarei sempre,
Até voltar de vez.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Dorme, meu bem...

À noite, suave,
Dentro de um abraço,

Dividindo o leito,
Peito contra peito...

Que o sono se vista
Com o carinho que faço,

E com tal roupagem
Te enfeite os sonhos...


Dorme sem receio,
Pois meu coração
Palpita em teu seio,

E o que me acalanta
É teu ressonar.

Amanhã já vem,
E o despertar...





quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Ruído de fundo

Da janela escorre luz,
Como tinta na água;

Sentado sobre o sofá
A assisto se misturar.

Afogado em claridade,
Meu burburinho se cala.

O silêncio sela a sala.

Iluminado e sombrio,
Escuto o mundo acordar.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Origami


Se, no papel do tempo, nós ousamos

Traçar as linhas do que planejamos;

A realidade sempre impõe sua norma;


E certo, o inesperado nos obriga

De algum modo a dobrar os nossos planos.


Ainda assim, nos resta algum controle.

Se não o que almejamos, impossível,

Ao menos pelas dobras que optamos:


Onde criamos arestas;

Quais pontas deixamos soltas;

Os pontos que nós ligamos...


Dessa forma, pelas nossas opções,

O que era plano ganha dimensões;

E a cada dobra a vida ganha forma.